Que bom que você está aqui!

É com prazer que te recebo neste espaço! Esta "casa" virtual está em permanente construção e em cada "cômodo" há uma inquietante necessidade de fazer diferente! Meus textos, relatos e imagens buscam apresentar a você os passos que constituem minha caminhada pessoal, profissional e acadêmica. A partilha que faço não intui caracterizar-se por uma postura doutrinária, autoritária ou impositiva-opressora, mas ao contrário, apresenta-se como ato solidário (jamais solitário) de contribuição à discussões humanas, planetárias e éticas!



Como educador me vejo no compromisso de participar do processo histórico de libertação dos oprimidos, marginalizados e esquecidos, a começar por mim. Despindo-me de qualquer resquício de arrogância, prepotência e soberba apresento-me como aprendente num contexto de intensa renovação de conceitos e atitudes!



Assim convido-o a juntos pensarmos em nossa condição de partícipes da grande Salvação! Salvação plena do homem e da mulher místicos, políticos e planetários!



Fraterno abraço!








Casa Rosada - sede do governo argentino. Em frente está a Praça de Maio. É um local em que é possível conhecer um pouco da história e da cultura argentina.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Corrupção: um crime contra a humanidade

O clima de democracia, a liberdade de imprensa e a coragem de denunciar tem estampado em jornais, sites e programas televisivos uma verdadeiro carcinoma de nosso tempo: a corrupção. Prédios públicos inacabados, obras superfaturas ou que nunca saíram do papel, mas que já foram pagas inúmeras vezes, são exemplos de nosso cotidiano jornalístico e já não chamam a atenção tanto quanto deveriam. Por esta razão já não nos indignamos mais e antes mesmo do desfecho já apostamos na impunidade absoluta. Mas é preciso analisar a corrupção em toda a sua complexidade uma vez que a lesão ao patrimônio público se dá forma dupla. Afinal ocorre a apropriação indébita (leia-se roubo) do que não pertence ao sujeito e com isso recursos que poderiam salvar vidas ou alfabetizar crianças não chega a seu destino. Expropria-se o dinheiro público e não se atende às demandas fundamentais da sociedade. Coloca-se em risco a vida e dignidade das pessoas, o que caracteriza um crime contra a humanidade. Assim quando são divulgados os milhões de reais desviados não se dá a devida atenção para a conseqüência que isto impõe. Estes números não são meros dados estatísticos, mas um vergonhoso desrespeito aos direitos humanos de toda a nação. Afinal, certamente com este dinheiro a qualidade da saúde, educação, segurança, lazer, rodovias, etc, poderia ser bem melhor. Um passo importante foi dado recentemente pelo STF ao validar a chamada “Lei da Ficha Limpa”. É uma luz de esperança que se acende no breu dos porões da deplorável prática de alguns políticos brasileiros. A Suprema Corte respondeu a altura, aos clamores e anseio da nação. Assim para concorrer a um cargo público é preciso ter um passado minimamente honrado, o que credencia o eleitor a fazer escolhas menos ruins. Mas obviamente o que se faz necessário e cada vez mais distante é uma ampla reforma política, através da qual a democracia possa se manifestar de forma mais substantiva. Financiamento público de campanha, formação política e capacidade técnica aos que ocupam cargo público, profissionalização da gestão púbica, punição à corruptos e corruptores são alguns passos muito esperados. Embora estes passos ainda sejam utópicos é preciso mobilizar a população mostrando a ela a barbárie cometida contra seu próprio patrimônio. Mas enquanto atenção da nação está voltada para o próximo capítulo da novela das oito ou com as intrigas “da casa mais vigiada do Brasil” torna-se difícil imaginar que os maiores interessados e manter tudo como está, façam alguma coisa. Talvez um dos maiores crimes cometidos contra a humanidade em favor da corrupção seja exatamente este: incapacitar as pessoas de refletir ou perceber o que é realmente significativo. Assim um pais mergulhado na corrupção é necessariamente alienado, com cidadãos permanentemente alimentados por uma falsa sensação de bem estar, consumindo ilusões e fantasias. Robotiza-se os seres humanos impondo-lhes uma condição de subserviência extrema. Algo excessivamente perverso, humilhante e cruel, que não nos dá o direito de permanecer alheios a história. Em outubro teremos uma excelente oportunidade de completar a obra iniciada pela Suprema Corte. Quem sabe, com o exemplo de bons gestores e legisladores municipais, poderemos partir para uma verdadeira faxina.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Inicio do ano letivo: compromisso e esperança!

Uma das grandes preocupações da escola moderna, especialmente a pública, é estabelecer um contato permanente com a família. Não para delegar a ela funções que cabem a escola, mas para fazê-la parceira, uma vez que a formação de um ser humano (criança) é muito mais complexa que a simples assimilação de conceitos ou conteúdos. Assim é preciso definir funções e compromissos. À escola cabe estabelecer meios de acesso e compreensão ao saber historicamente acumulado e divulgado, bem como estabelecer perspectivas em relação a sua (re)construção. A escola é essencialmente um espaço de formação crítica em relação ao mundo que cerca a criança e o adolescente. De maneira alguma poderá assumir as funções que cabem a família ou então delegar a ela aquilo que lhe cabe. À família cabe a construção de valores e princípios que permitirão à criança e ao adolescente ter discernimento e posturas para saber o que fazer com o saber que lhe é apresentado. É importante lembrar que em se tratando de século XXI a escola não é a primeira e muito menos a única fonte de contato com o saber. Assim estes valores serão imprescindíveis para que não sejam formadas gerações de “alienados”e “bem conduzidos” por toda sorte de tendência. Assim quando uma família “entrega” um filho ou filha à escola, não o está fazendo para que o eduquem, mas para que complementem aquela formação que iniciou em casa. Está apenas estendendo o rol de possibilidades de formação, permitindo a seu filho ou filha, concepção de novos sonhos e esperanças. Sonhos e esperanças que se desenham num cenário em que se pressupõe, já estão postos princípios consistentes e valores humanizantes. Sem esta parceria cria-se um clima de adversidade onde família e escola não lograrão êxito em suas ações, seus objetivos não serão alcançados e crianças e adolescentes serão enganados. Um pai que afirma não saber mais o que fazer com o seu filho anuncia um fracasso tão gigantesco quanto o da escola que não sabe como apresentá-lo com dignidade ao saber. A soma destes fracassos não resulta apenas em uma geração mal formada, mas numa forte ameaça ao futuro de todos. Assim, o início do ano letivo é também o início de uma jornada, a ser vivida com a seriedade comparada a de um pai que recebe um filho após o parto. Afinal, ao inserir seu filho num espaço que se propõe transformar o rumo de sua vida, o está expondo a um novo parto. Passará a conhecer letras, números, conceitos e saberes o que não permite ao conhecedor agir como se não conhecesse. Desta forma o inicio do ano letivo deve também selar o compromisso entre escola e família, no sentido de garantir às crianças e adolescentes a possibilidade de sonhar e ter esperanças. Um compromisso dialógico onde família e escola construirão caminhos seguros para que crianças e adolescentes sejam promovidos e jamais oprimidos pelo saber. Assim família e escola não são faces opostas de uma mesma moeda, mas parte de um cenário onde o espetáculo da vida se renova a cada dia.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Evolução tecnológica e extinção do saber

O fato de nos depararmos com milhares de pessoas absolutamente alheias a temas de grande relevância social e para a vida de cada sujeito revela o quanto estamos equivocados quando afirmamos que hoje o acesso ao saber é mais fácil e mais rápido. Quanto a rapidez e a facilidade não há o que discutir, mas o que se está acessando é realmente saber? Numa nação em que a maioria das pessoas sabem opinar apenas sobre o seu time de futebol e sobre o comportamento de alguns sujeitos confinados numa casa luxuosa de reality show, há que se pensar sobre o que está sendo apresentado às pessoas. Se houve e há uma preocupação concreta em elaborar meios físicos e logísticos para divulgar informações de forma rápida e eficiente, não se vê similar preocupação com a qualidade do que se dissemina. Em relação ao expectador, procura-se atingir as chamadas classes populares que teoricamente absorvem mais facilmente esta "massa de informações", por se tratar de algo facilmente compreendido o que se revela extremamente atraente. Mais ainda deturpam-se valores elevando-se à categoria de heróis, sujeitos que se permitem expor de forma imoral e aética, ridicularizando princípios que a maioria das mães e pais (estes sim verdadeiros heróis) buscam transmitir a seus filhos. Diante disto não há outra conclusão senão a de que a deterioração social e cultural de uma nação se constrói com a ajuda da tecnologia em mãos e mentes mal intencionadas. Trata-se de uma evidente extinção do saber, o qual permite estabelecer e compreender valores, princípios e condutas. Percebe-se, portanto, uma evolução tecnológica diretamente proporcional a uma involução intelectual lançando a grande massa num sistema poderosamente alienante. Esta alienação fere mortalmente qualquer possibilidade de consolidação de uma sociedade atenta e preparada para libertar-se dos modernos modos de opressão e repressão. Se no passado e no presente algumas ditaduras se valem de artifícios como a tortura, as democracias liberais alicerçam-se na alienação irrestrita. Indivíduos aprovados mas não preparados são lançados para fora da escola, iludidos de que seu saber lhe proporcionará dignidade e segurança. Uma ilusão dupla, pois não estão efetivamente preparados e o que levam não é saber, mas algumas informações sobre as quais são incapazes de refletir ou tecer críticas. Alguns sequer sabem ler, apenas soletram frases e desenham letras. Uma realidade cruel diante dos múltiplos desafios que se apresentam sempre mais complexos, dinâmicos e difusos. A escola (pública e privada) por sua vez se vê refém de políticas públicas inconsistentes e tendências mercadológicas que transformam a educação em mero tema político eleitoreiro ou produto a ser comercializado a qualquer condição. Indivíduos que conhecem as melhores lojas e fest foods, as músicas mais tocadas do momento (com apenas meia dúzia de frases soltas); mas que sequer imaginam que existem lojas que vendem livros; que ridicularizam artistas que proclamaram sua indignação e a de uma nação pelas suas músicas. O berço não lhe ofereceu condições para compreender que arte e entretenimento podem formar sujeitos melhores, mais atentos, mas críticos e menos oprimidos. Aqui cabe questionar: a quanto tempo não surge em nosso país um grande ícone da arte ou da literatura? Por que nossos grandes autores e pensadores pertencem aos séculos passados? Não há grandes pensadores e artistas no século XXI no Brasil? Não há dúvidas que há, mas a mídia não lhe oferece espaço e mesmo que ofereça os expectadores, em sua maioria não lhe dariam a devida atenção. As "facilidades" midiáticas, o despreparo da escola e o comodismo familiar, somados às múltiplas "intenções" de um sistema que privilegia o capital em detrimento do social e do cultural, tende a levar o saber a sua extinção. Enquanto pensar for "coisa de intelectual" e ser intelectualizado é ser "chato" continuamos transformando auto-ajuda em filosofia, imoralidade em diversão, elegendo quem nos oprime, trabalhando por menos do que merecemos e sendo menos felizes do que deveríamos.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Enfim 2012...

Enfim 2012! As previsões afirmam que este será o ano derradeiro. Será mesmo verdade? Haverá mesmo uma grande hecatombe? Quais as chances reais disto acontecer? Escusem-me os místicos e supersticiosos de plantão, mas valo-me da ciência para dizer que a chance disto acontecer em 2012 é a mesma de acontecer neste exato momento ou em qualquer outro. Considerando a ordem natural dos acontecimentos é preciso dizer que cronologicamente 2012 será um ano de grandes demandas. Demandas políticas, econômicas, sociais, ambientais e humanitárias para evitar o grande colapso planetário. Afinal a América estará em eleições e como a grande parte do mundo subserviente veleja pelos sopros “generosos” de Tio San, guerras começam e terminam num piscar de olhos; nações inteiras rastejam pedindo clemência econômica e sacrificando seu povo para manter algumas poucas economias num nível mínimo de sustentabilidade. Nem mesmo as cada vez mais intensas e frequentes tragédias ambientais despertam os gigantes econômicos para a enorme tarefa de salvar a vida do Planeta. Em nosso país haverá uma nova eleição municipal, momento sublime da democracia em consolidação e de grande expectativa enquanto se decide se corrupção é crime. Sem dúvida um tempo de eleitores confusos e perplexos com um grande poder em suas mãos e com enorme dúvida se poderão exerce-lo de fato. Afinal a Ficha Limpa vale ou não vale? Em 2012, finalmente integridade e decência serão importantes ou ainda vamos tentar escolher o menos pior? Estaremos diante de uma hecatombe previsível até para o maior dos céticos? Será enfim 2012, o ano da quebra de alguns dos mais odiosos paradigmas como o de que nem todos podem e os que podem sempre querem poder mais? Será em 2012 o início de uma nova forma de convívio entre os diferentes seres humanos? A Terra será vista com a grande Mãe (viva) e geradora de vida? No que depender de nossos desejos, repetidos ano após ano, sabemos quais seriam as respostas, porém ainda nos predemos a esperanças. Apenas lamentáveis esperanças! Afinal que todos sejam tratados por igual, que todos se respeitem e que a Terra seja santuário de vida é extremamente elementar num mundo que se diz pós-moderno. Mas afinal se não houver esperança, perderíamos a razão de lutar por algo que ainda não temos, seja ou não elementar. Mesmo que nada do que desejamos se realize conforme imaginamos, que não cheguemos ao final de 2012 lamentando a covarde postura de quem sequer se dispôs a fazer sua parte. Que em 2012, façamos a nossa parte, sejamos felizes e façamos a felicidades dos que nos acompanham pela vida!

domingo, 18 de dezembro de 2011

Então é Natal...

Luzes, canções, presépios, árvores, celebrações e infinitas mensagens se multiplicam, por que é Natal. Há sempre quem queira relembrar o verdadeiro sentido do Natal e a seu modo procuram inserir o nascimento de Cristo como o grande evento a ser celebrado, como de fato é. Mas o fato é que um grande Natal tem sido aquele em que superou o anterior em vendas, com recordes de produtos consumidos e de dinheiro circulando. Mas há temas que merecem, neste tempo, uma reflexão mais profunda... Inicialmente o fato de movimentar a economia não é de todo ruim, pois gera trabalho, emprego e renda. O grande problema que remete a inúmeras reflexões é a perda do sentido místico e transcendente (religioso) e o acesso restrito aos produtos que tanto querem que se consumam. Numa análise mais profunda há mazelas que merecem discussões permanentes, não apenas no Natal mas ao longo de todos os dias, todos os meses e anos. Em 2011, por exemplo, discutiu-se muito acerca da questão ambiental, mas em nome do sucesso econômico de um modelo ecologicamente fracassado, protelou-se a implementação de soluções. Trazendo o tema para o Natal, cada produto consumido (especialmente os supérfluos) produz um impacto antes, durante a após sua produção. Mas com o “desespero econômico” do continente europeu não é possível imaginar que a questão ambiental seja tratada com a seriedade que merece, em 2012. Em 2011, outro assunto sempre presente em todas as mídias, como reflexo da prática de muitos de nossos políticos, é a corrupção. Se muitas ceias deste Natal forem menos fartas ou simplesmente não acontecerem é por que a falta de ética e respeito de homens públicos transformam nossas contribuições tributárias em inspiração inesgotável para a sua voracidade. A despreocupação com estes dois temas, entre tantos, acaba por consolidá-los como naturais e aos poucos passa-se a conviver e até aderir a estas práticas. Assim, neste Natal poderíamos aproveitar toda a mística que o envolve e além de partilhar presentes, mensagens e ceias, celebrar o início de uma nova vida. Uma vida atenta aos valores mais simples e também mais complexos que poderão nos garantir o direito de sonhar. Sonhar que o nascimento de Jesus, com toda a sua simplicidade foi e é divinamente projetado para que cada ser humano se veja como um mero ser que habita este planeta, mas com uma responsabilidade maior pela sua proximidade com Deus. Afinal Ele manifestou toda a sua generosidade através de seu Filho feito homem. Em tempos em que “ser do bem” virou um certo modismo é preciso compreender que o bem não faz mal a ninguém e o mal não faz bem a ninguém. Cuidar do planeta, respeitar o patrimônio público são esforços coletivos que merecem a atenção de todos. Da mesma forma assumir valores individuais e aparentemente tradicionais, como família e religião é uma necessidade eminente. Afinal em nome da ruptura de paradigmas, lançou-se a humanidade a uma liberdade que mais se assemelha a anarquia. Assim, que este Natal seja uma esperança de recomeço, onde a liberdade seja usufruída com a sensibilidade necessária para que o bem seja o valor maior. Bem que nos faça melhores como parte de uma família e como habitantes deste planeta.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Para que ter fé?

Certamente não há ser humano que pelo menos uma vez na vida não tenha parado para pensar em Deus. Independente de sua confissão religiosa, de seu credo e até de seu descredo, a divindade não é um elemento estranho, oculto ou desconhecido. Os mais fervorosos ateus, certamente estão entre os que mais analisaram, pensaram e discutiram a figura de Deus. Associa-se a Sua figura a necessidade de se ter fé. Este é um estágio mais aprofundado da discussão desta figura, quando se passa não apenas a discutir sobre Deus, mas passa-se a tratar com Deus. A fé é o caminho pelo qual se constrói a verdadeira intimidade com Deus. Não se trata de apenas acreditar, mas entregar-se confiantemente a Ele de tal forma que não há espaços para dúvidas. Fé presume fidelidade, ou seja, ter fé em Deus é reservar-lhe um espaço que sempre foi, é e será seu. Fé também tem a ver com suficiência. Ao testemunhar sua fé, o sujeito assume a condição de que para aquelas perguntas não cabem outras respostas. Mas e os conflitos entre ciência e religião que tem produzido confrontos, desentendimentos e até preconceitos? Ora, como não se questiona um engenheiro para que este construa um diagnóstico de uma enfermidade ou um médico quanto a durabilidade de uma construção, pois há conceitos específicos para a engenharia e para a medicina, assim também ocorre com a ciência e religião. Há fenômenos e circunstâncias que só podem ser tratadas pela ciência, assim como outros somente pela religião. Fazer com que uma faça o papel da outra é descaracterizar a ambas. A fé definitivamente não tem um caráter científico, assim como a ciência não tem um caráter místico. Mas como muitos fenômenos ainda não foram elucidados, historicamente, atribuem-se explicações às divindades. Mas retomando o conceito de fé, é preciso descrever-lhe algumas atribuições. Uma delas é estabelecer um caráter transcendente ao ser humano, fazendo-o sensível às suas atribuições e á sua missão. Outra atribuição é estabelecer um vínculo entre o sujeito e sua própria transcendência. Não há como aproximar-se de Deus senão pela fé. Outro aspecto fundamental da fé é seu caráter único. Assim como o mesmo servo não pode servir a dois senhores, um único indivíduo não pode manifestar duas formas de fé. A constante necessidade de respostas a fenômenos desconhecidos ou a perguntas sobre as quais ainda não se encontrou um esclarecimento atiçam a criatividade e a “esperteza” humanas e surgem “respostas mágicas” e enredos grotescos que distorcem qualquer tentativa de estabelecer vínculos de fé ou de acesso a Deus. Um dos fenômenos para os quais se recorre a fé para encontrar explicações é a morte. O inconformismo com o fim biológico e a expectativa em relação à continuidade espiritual faz surgir “esperanças” diversas e não comprovadas como é o caso do processo de reencarnação onde biológico e transcendente se confundem. Assim afirma-se que a obra divina é imperfeita e como tal necessita constantemente ser refeita, passando por um processo claro de “evolução”. Seria esta uma forma de se ter fé? Seria uma fé com buscas científicas? Em relação a mesma busca, encontram-se interpretações que afirmam que retornaremos a uma dimensão paradisíaca de infinita felicidade. Mas afinal cabe ao ser humano a luz daquilo que conhece julgar como seria este lugar e defini-lo como de absoluta felicidade? Teria o ser humano, na condição de criatura, meios para compreender, descrever e dimensionar o Criador e suas intenções? Como dissemos a fé é o caminho pelo qual construímos nossa intimidade com Deus e toda a intimidade exige amorosidade. Assim, enquanto experiência amorosa a fé é um valor, cuja intensidade e descrição não cabem em métodos conhecidos ou descritos. É muito mais uma experiência individual, única e particular do que um modelo a ser representado. Mas para que ter fé? Esta é uma resposta igualmente individual, única e particular, a ser construída pela experiência vivenciada. O cuidado a ser tomado neste momento está na necessidade de se estabelecer uma fé individual capaz de servir de caminho para Deus. Uma fé que não admita a ingenuidade de supor que Deus é apenas um “sujeito” capaz de solucionar pequenos problemas do cotidiano. Pela fé podemos perceber a grande necessidade de Salvação. Utilizar algo tão precioso como a fé para encontrar respostas ralas para questões tão complexas é no mínimo desmerecer o grande sacrifício do Criador. É imaginar que a criatura superou o criador e pode dominá-lo. Devaneio humano...

sábado, 3 de dezembro de 2011

De quem é a culpa?

O final de mais um ano letivo faz ressoar esta pergunta em diferentes contextos, mas com o mesmo propósito. Justificar o que não deu certo. Assim, pais, alunos e até professores procuram identificar culpados pelo fracasso que na verdade foi de todos e do qual todos são vítimas. Há um longo processo histórico em que equívocos, interpretações distorcidas, ações descoordenadas induziram à educação a assumir funções que não lhe cabem e a renunciar as que lhe são exclusivas. O que efetivamente deveria ser perguntado neste momento é: onde erramos e como vamos fazer para resolver ou pelo menos o que fazer para não repetir o mesmo erro? Obviamente isto exige comprometimento, mudanças de postura e a retomada de uma série de atribuições da família, da escola, dos gestores e de toda a comunidade escolar. Assim, a remota possibilidade de se achar um culpado ativa a de uma isenção coletiva. Ora, se um culpado for encontrado a ele caberá a responsabilidade da correção. Durante muito tempo a escola se insentou e lançou a culpa sobre a sociedade e especialmente sobre a família. Excluiu pessoas, baseou-se num modelo tecnicista de ensino, promoveu reprovações em massa, etc. Mais recentemente, por força da má (intencionada) interpretação das leis e normativas, a culpa tende a voltar-se sobre a escola, chegando a convertê-la em segunda família. Ora família é família e escola é escola. São instituições distintas,com atribuições próprias que se complementam, mas jamais se fundem. O fato é que reprovações, insucessos ou aprovações sem se atingir os objetivos e metas planejados,denotam a explícita necessidade de deixar a caça aos culpados de lado, e procurar construir soluções imediatamente. Afinal nossas crianças e adolescentes precisam ter o direito de ter esperança e não podem adiar o seu ingresso no futuro. Se hoje vemos jovens, que após mais de uma década de escolarização, incapazes de escrever uma frase ou interpretar um parágrafo, precisamos nos preocupar. Neste sentido precisamos atuar duas frentes básicas: políticas públicas e partilha de responsabilidades. Quanto as políticas públicas, de responsabilidade do Estado (municípios, estados e união), estas devem procurar oportunizar universalmente, condições de acesso e permanência de crianças e adolescentes, numa escola de qualidade. Esta qualidade diz respeito a estrutura física, projetos pedagógicos consistentes, profissionais qualificados e bem remunerados, gestão profissional e prioridades democraticamente definidas. Quanto a partilha de responsabilidades, trata-se de uma discussão profunda e permanente entre escola, famílias e entidades comunitárias. Esta discussão não pode se debruçar sobre culpados, mas sobre o que cada um deve fazer para contribuir com o outro, no propósito de encontrar soluções. Um trabalho solidário, partilhando responsabilidade, jamais culpas. O comprometimento coletivo e a junção de habilidades e possibilidades pode ser a diferença entre a esperança e o conformismo, a mudança e a estagnação. Diante disto podemos concluir, para os ávidos por respostas, de que a culpa é de todos nós, que tanto insistimos em achar culpados. Não somente culpados pela situação propriamente dita, mas pela falta de perspectivas de soluções. O fato concreto é que o fracasso de cada criança e de cada adolescente é o resultado da somatória do fracasso de todos aqueles que poderiam ter construído soluções, mas se acovardaram na busca de culpados.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

45 anos de PMDB: democracia, liberdade e cidadania

A democracia é um dos valores mais elementares da política moderna e representa o que há de mais civilizado no processo de escolha de governantes e projetos de governo. Mesmo que não seja o regime perfeito (e nunca houve um que o fosse) é o que de melhor temos. Nascida na Grécia a democracia é uma forma de governo em que o poder de decidir está com os cidadãos, que o fazem de forma direta ou por meio de representantes eleitos. Apesar disso é um dos regimes mais ameaçados e mais desvirtuados em todos os tempos. Embora todos os cidadãos tenham os mesmos direitos, os que se apossam do poder estabelecem “critérios” obscuros que diferenciam os cidadãos, e mesmo num regime democrático esta igualdade é relativa. Assim sucessivos tempos históricos testemunharam eventos que comprometeram e comprometem o estabelecimento e consolidação da democracia. No Brasil não tem sido diferente. Basta dizer que estamos vivendo, nestes 26 anos, o mais longo período de regime democrático de nossa história. Para que este período fosse possível passamos por um dos períodos mais tristes e sombrios de nossa história em que a força militar repressora e a ideologia civil neoliberal entreguista, lançaram o Brasil à submissão e à subserviência. A violência física, moral e política do regime intimidou, mas também fez crescer muitas convicções e movimentos contrários a esta submissão. Assim em 24 de março de 1966, o MDB foi registrado junto a justiça eleitoral para fazer frente à ARENA, partido que dava sustentação ao regime civil-militar que governava o país. Somente em 1980, passa a denominação atual. O surgimento do MDB foi um marco deste período devido a todas as limitações impostas pelo regime e pelos absurdos cometidos em nome da ordem nacional. Confundia-se liberdade de expressão com contravenção e por isso estudantes, artistas, profissionais liberais e lideranças populares foram executados e torturados. Graças a coragem, ao civismo e ao comprometimento de todas estas pessoas o regime ruiu e hoje experimentamos um novo tempo. Nestes 45 anos, o PMDB teve uma participação muito significativa, como movimento político organizado na retomada aos caminhos da democracia e em sua consolidação. Embora também se tenha testemunhado uma série de distorções ideológicas e de postura de algumas lideranças, a história do PMDB não pode simplesmente ser contata a partir delas. Grandes líderes como os saudosos Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Franco Montoro, Mário Covas, José Richa, Marcos Freire, Dante de Oliveira, Itamar Franco e tantos outros consolidaram uma nova forma de fazer política. Fizeram acreditar que a democracia seria possível e que a liberdade seria o primeiro passo para a construção de uma nação verdadeiramente cidadã. Fazer parte deste história não foi definitivamente uma obra do acaso, mas do envolvimento pessoal e da coragem de assumir uma condição de oposição à tortura, a repressão e ao desrespeito aos mais elementares direitos humanos. Ao contrário de outras agremiações que trocaram de nome e sigla, o PMDB consolidou-se como organização política e não se envergonha de seu passado. Em relação ao presente, sabe-se que há uma necessidade efervescente de se voltar às origens. Em respeito ao passado é fundamental buscar constantemente uma renovação de condutas e posturas, para que a expressão deste movimento político seja também a expressão da democracia, da liberdade e da cidadania. As lições e a conduta de líderes passados e presentes pode servir de inspiração para que novas gerações surjam, com a coragem e a determinação necessários a impedir que nunca questionemos o valor da verdadeira democracia. Se hoje é possível criticar, exigir e ser diferente é por que no passado, lutou-se por isso, mesmo tendo a vida e a dignidade ameaçadas. Diante disto é possível dizer que se há uma certeza, é que não há liberdade e cidadania sem democracia. Se para muitos, que defendemos o respeito a tradição, a história e aos valores do velho MDB, é preciso impor novas mudanças e transformações, em tempos de democracia é fundamental lutar para que um patrimônio como o PMDB seja visto como um espaço de construção de cidadania e liberdade. O fortalecimento da democracia brasileira passa pela incondicional e permanente reestruturação dos partidos políticos, com especial atenção aos valores que os credenciem e os creditem a representar os interesses de todos os cidadãos.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra!

A necessidade que determinou a criação do Dia Nacional da Consciência Negra flagra também a fragilidade de nossa democracia no que diz respeito à garantia de que todos somos iguais perante a lei. Se assim o fosse, a cor da pele não seria determinante para que pessoas pudesse e outras não. Se ainda é necessário lembrar que negros e brancos merecem o mesmo respeito e a mesma atenção por parte do Estado e que devem respeitar-se mutuamente, nossa democracia ainda é um projeto.
Enquanto o caminho das cotas for o mais viável para o negro alcançar a universidade poucos se preocuparão com a necessidade de oferecer às classes pobres (onde estão negros e brancos) uma educação básica de qualidade. Enquanto ação afirmativa, a política de cotas, merece todo o louvor, mas enquanto política pública de inserção do negro no universo acadêmico, é digna de preocupação. Aqui também é importante afirmar que é totalmente refutável, o argumento que afirma que a política de cotas reforça a prática do preconceito racial. Se chegamos a esta situação, é por que a escola pública, onde estão a maioria dos alunos negros, não oferece condições para que estes possam chegar a universidade, ou ainda, por que uma grande maioria das criança negras sequer pôde frequentar a escola.
Da mesma forma, cabe uma reflexão consistente sobre como os não-negros tratam aqueles que foram arrastados ao nosso território como animais. Sim, por que o negro não colonizou o continente americano, foi seqüestrado e animalizado em nosso continente. Se foi preciso estabelecer o chamado Estatuto da Igualdade Racial, é por que a formação ética do povo brasileiro não foi eficiente para se compreende-se a grande tragédia afro-americana. Enquanto, para alguns, agredir alguém pela cor de sua pele, for apenas um crime, e não um atentado a ética e a dignidade humana, ainda não somos uma nação livre. O Estatuto foi e é extremamente louvável, porém denota o quanto ainda precisamos amadurecer e o quanto a animalização do negro foi e é cruel!
Tomar consciência de que somos diferentes e que esta diferença não faz ninguém melhor ou pior é um exercício que a lei ou políticas afirmativas não poderão resolver por si só. O máximo que farão é amenizar ou mascarar uma realidade cruel onde a cor da pele distingue não apenas “raças”, mas camadas sociais. Numa nação verdadeiramente democrática as únicas diferenças que devem existir são as ideológicas. Neste sentido os diferentes devem ser respeitados e vistos de forma diferenciada por serem desiguais. O direito de ser diferente deve estar implícito nos chamados direitos individuais, assim como o dever de respeitar a diversidade dos outros.
O mosaico de rostos, culturas, tradições e costumes faz da nação brasileira, um espetáculo único. Um espetáculo tão belo que um dia permitirá acabar com o Dia da Consciência Negra e celebrarmos o “Dia da Diversidade Humana”. Um dia para festejar a diferença e a beleza que isto representa numa nação. Mas enquanto isso não acontece, e para que isso venha a acontecer, faz-se necessário discutir a condição do negro, do índio e de outras “minorias”. Certamente o primeiro passo é fazê-las perceber que não são minorias.
Celebrar o 20 de novembro é reconhecer a necessidade de nos enxergarmos melhor, sermos mais sensíveis e mais solidários. É perceber que a negritude de nossos rostos ainda tende a ser embranquecida. É perceber que nossa democracia ainda é imoral e demagoga, pois estabelece legalmente que todos somos iguais independente de nossa origem, mas não garante a todos as mesmas oportunidades.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Corrupção: um mal necessário à democracia e à liberdade?

Os escândalos envolvendo agentes públicos em atos de corrupção tem sido uma constante em nosso país. Estes tornam-se públicos graças a democracia e a imprensa livre, que são uma grande conquista do povo brasileiro. Equivocam-se os que afirmam que em tempos passados, especialmente nos períodos de ditadura, não havia nada disso. A falta de democracia e de liberdade obscureceram a história e iludiram gerações que hoje se veem perplexas diante do que se revela nos bastidores do poder. Se hoje ainda escolhem-se mal os que nos governam é importe que se ressalve que é preferível que seja assim, a não se ter a oportunidade de fazê-lo.
Mas seria a corrupção, o elevado preço a ser pago pela democracia e pela liberdade que se consolida diariamente em nosso país? Seria a corrupção um mal necessário? É preciso dizer que corrupto e corruptor são seres humanos, dotados de valores e por isso a corrupção é essencialmente um ato humano, uma opção. Efetivamente não há como regular o caráter de alguém e convertê-lo por decretos ou dispositivos legais. Mas isso não permite que se considere a corrupção como algo inerente à democracia e à liberdade.
Ao contrário, a consolidação da democracia e da liberdade incidem diretamente sobre o estabelecimento de leis que façam frente a corrupção em dois aspectos: que impeça corrupto e corruptor de agirem e que puna os que pratiquem a corrupção. E isto não fere a democracia e a liberdade, mas ao contrário estabelece um alicerce moral e ético que lhe dá ainda maior estabilidade. Afinal os recursos que escorrem do tesouro público pertencem a cada cidadão que transfere percentuais significativos de sua renda ao Estado. Caberia a estes recursos financiar educação, saúde, bem-estar social e qualidade de vida a toda a população.
Se hoje temos milhares de analfabetos e famintos é porque a contribuição de cada cidadão não está chegando a seu destino. Da mesma forma a violência, a mortalidade infantil, a falta de moradia são frutos do mau uso do que pertence a todos. Por tudo isso, é possível afirmar que a corrupção é um crime contra a humanidade e que precisa ser impedido e punido com o máximo de rigor possível. Mas para isso, efetivamente é fundamental que se promovam mudanças na legislação para que a justiça possa ser feita. Mas como muitos dos que se sustentam pela corrupção são alguns dos que deveriam mudar a legislação, nossas esperanças se reduzem e se sustentam na expectativa de que a própria democracia e liberdade façam com que o eleitorado escolha melhor.
Mudar a legislação e tornar a justiça mais célere é o que pode reduzir este mal que está longe de ser necessário. Um mal que deveria ser punido com maiores e mais rigorosas penas, visto que compromete a vida e a dignidade de toda uma nação. Tanto compromete que faz os cidadãos terem dúvida do valor da democracia e da liberdade e da importância de seu voto. A medida em que 2012 se aproxima e o pleito municipal se anuncia vemos interesses partidários e individuais se camuflarem em propostas coletivas que ultrapassam a utopia e atingem o inaceitável.
Obras públicas e investimentos são anunciados como se partissem do bolso de alguns personagens conhecidos e são decoradas com faixas e cartazes que iludem e mascaram a verdade. Usar dinheiro público para promoção pessoal também se caracteriza com ato de corrupção. Mas graças à democracia e a liberdade, temos a possibilidade de tecer este tipo de crítica e ainda ter a esperança de que o futuro possa ser diferente. Assim, se o mal da corrupção ainda persiste, que ele não seja visto como necessário, mas como algo execrável, combatido e publicado, para que não seja mais preciso pagar por ele com analfabetos, doente, famintos e mortos.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Função social da escola: algumas interpretações

Dentre os muitos princípios que regem as instituições públicas está o de que elas devem apresentar e desempenhar uma função social relevante. Isto quer dizer que deve obrigatoriamente apresentar alguma aplicação junto a sociedade que lhe justifique a existência e o financiamento, visto que instituições públicas pertencem e são mantidas por esta sociedade. Assim um hospital tem por finalidade cuidar da saúde das pessoas; uma prisão a de manter afastados da sociedade elementos que lhe são nocivos; as praças a de promover momentos recreativos. A escola pública também deve ter a sua.
Digo deve ter, pois há uma verdadeira celeuma em torno da definição concreta da função social da escola. Na prática a escola pode ser um restaurante em que entre uma refeição e outra se ofereçam alguns conteúdos e/ou treinamentos; um clube em que se promovam eventos em que se estabeleça a socialização dos seus frequentadores; um centro social em que se promovam ações assistenciais como escovar os dentes, receber um traje passando pelo aconselhamento familiar. Mas isto é função social da escola pública?
Acredito que não seja possível responder a esta pergunta, mas podemos contribuir para que se faça uma discussão mais profunda sobre a real importância de uma instituição de ensino numa comunidade. Obviamente a merenda escolar, os uniformes, os eventos, as escovações e o acompanhamento familiar não podem ser omitidos, mas isto não pode ser a razão de ser da escola nesta comunidade. O centro das atenções pode e deve ser outro. Coincidentemente ou não cabe a escola participar e fomentar a formação de crianças e adolescentes, ou seja oferecer uma parte de sua educação.
Quando digo uma parte, é por que não há dúvida de que a família também e responsável pela educação e formação de seus filhos. É na família que ocorre o primeiro parto, o biológico, e a construção de relações sociais primárias, aquelas que servirão de base para as outras. É na família que se aprende a conviver, partilhar e agir solidariamente. Este aprendizado não se dá apenas na fase anterior a escola, mas ao longo de toda a vida. Portanto, escola não é segunda família, pois esta é única.
Cabe a escola, estabelecer um segundo parto onde munido de valores, o sujeito inicia seu contato com o saber, com sua construção e (trans)formação. Este é parto cidadão. É o momento em que o sujeito não apenas um ente de um corpo social (a família) e passa a ser um constituinte de um universo maior, do qual é responsável pela sua transformação. Compreender que escola e família são duas instituições com compromissos diferentes é essencial para que se possa definir a função social de ambas.
Especificamente em relação a escola, cabe-lhe a função de ser libertadora, transformadora e promotora da construção solidária (e não solitária) de sujeitos capazes e responsáveis por não se conformar com a realidade que se tem. Mais do que assistir ou cuidar de pessoas, a escola tem como compromisso, lançar crianças e adolescentes ao desafio de fazer diferente. De estabelecer um novo ethos, no qual a vida seja preservada em suas múltiplas expressões.
É função social da escola, promover a paz, a liberdade, o respeito, a justiça e a solidariedade. Porém estes valores precisam estar estabelecidos no sujeito antes de seu ingresso no espaço escolar. Com eles e com o seu aprimoramento a escola faz com que os saberes (conceitos) tenham uma nova significação. Direciona-os a promover a vida e a dignidade de tudo o que existe.
O que se percebe e se considera como equívoco de interpretação é na realidade uma verdadeira sobreposição de função. Uma escola menos assistencial e mais libertadora será capaz de formar sujeitos menos subservientes. Sujeitos que sejam livres o suficiente para jamais renunciar ao direito a liberdade. Sujeitos que não precisem do opressor para guiar seus passos, pois se veem em condições de pensar e refletir sobre sua própria função social.
Para tanto o sujeito precisa conhecer, interpretar, criar e estabelecer uma relação íntima de cumplicidade com o saber. Não pode ser apenas benificiário da clemência da aprovação em massa ou da nivelação pelo rendimento mínimo, mas pela postura ética de uma escola que o sensibilize para suas mazelas e o faça sentir-se prazerosamente envolvido pela necessidade de saber mais. E saber mais, não significa dominar um rol padrão de conceitos, mas os necessários a promoção de sua dignidade e de sua função no meio social. Em síntese pode-se dizer que a função social da escola é fazer com que cada sujeito descubra sua própria função social.

domingo, 9 de outubro de 2011

Dia do profissional da Educação: desafios e esperança!

Poucas são as pessoas que não tiveram contato com pelo menos um professor ou professora. Quem é professor(educador) sabe e já deve ter se dado conta da sua participação e até influência na vida das pessoas. A profundidade dessa participação e dessa influência merece ser considerada, pois é a partir dela que se estabelecem todas as relações entre o educador e a sociedade.

O que tem comprometido a qualidade destas relações é a distorção da real função do educador no atual contexto. A “ imposição” da condição de segunda família à escola, a transforma num local onde o exercício da profissão de educador se torna um desafio cada vez menos atingível. Como ministrar conceitos científicos num ambiente onde é necessário executar tarefas essencialmente da família? O que fazer diante de famílias que assumidamente não sabem o que fazer com seus filhos? Como tratar de valores com os filhos de quem apenas procura por culpados de seus próprios erros?

Embora estejamos falando de uma minoria não estamos falando de exceções. A cada dia se percebe crescente, a absoluta renúncia familiar à condição de formadora de valores e atitudes como respeito, tolerância, responsabilidade e comprometimento. O que chama a atenção neste sentido é que esta minoria tem crescido constantemente pela comodidade das famílias e pelo conformismo dos educadores.

O trabalho, a mídia e o excessivo assistencialismo contribuem para acomodar ainda mais a família justificando inclusive sua renuncia a condição de provedora econômica e moral das próximas gerações. Transfere-se esta tarefa ao Estado e à escola, e por conseguinte a maternidade e a paternidade ao educador e à educadora. Estes por conformismo e por opção histórica, assumem-se vocacionados à tarefa. Une-se assim, o “útil ao agradável”.

Esta condição faz do educador um profissional sem uma identidade clara. Impõe-se sobre ele a formação acadêmica, intelectual, moral, social, política e religiosa de crianças e adolescentes. A família limita-se a função de culpar a escola e os educadores por aquilo que ela própria deixou de fazer. Estabelece-se uma relação adversa onde a cada geração, percebem-se fenômenos como a fragilização da autoridade do educador e a desarticulação da estrutura familiar.

Sem referências e sem compreender os limites da liberdade, cada geração dificultará ainda mais o exercício da profissão de educador. A esperança que resta, é que ainda estamos falando de uma minoria. Não há dúvidas de que a grande parceira da escola é a família. Pais e educadores sintonizados podem garantir uma formação ampla, digna e completa às futuras gerações. Esta sintonia se traduz pelo respeito mútuo e pela identificação de funções que cada um deve exercer.

Assim, os verdadeiros e únicos “amigos da escola” são as famílias e sua maior homenagem aos educadores será o de cumprir sua função. Desta forma o educador poderá exercer a sua função e todos saberão o quanto vale uma família e um educador. Desta forma, celebrar o dia do educador é também celebrar a sensibilização de que este é um profissional que necessita de condições morais para exercer seu trabalho.

sábado, 27 de agosto de 2011

Independência e morte na Pátria Mãe gentil

Conta a história que em 07 de setembro de 1822, Dom Pedro I teria lançado sobre a terra brasileira o heróico brado “Independência ou Morte”. Embora seja questionável, esta é a narrativa que conhecemos e é a partir dela que se fará uma breve análise crítica. Segundo o famoso brado, ou passaríamos a condição de Pátria livre ou mergulharíamos num tempo sombrio, semelhante a morte. Como sabemos “optou-se” pela independência sem, entretanto reinventar a nação brasileira. Velhos vícios, antigas oligarquias abandonam o regime colonial e migram para o Império, mantendo o país na mesma rota histórica. Manteve-se a escravidão, ignorou-se a democracia, a miséria, a exclusão e todas as mazelas.

Portanto, a opção foi pouco definida e carregou-se para dentro do Estado independente a morte que já vinha de outros tempos. Com a “Libertação dos Escravos” e a “Proclamação da República”, aparentemente deu-se mais um passo rumo a concreta independência, porém aos negros libertos restou o cansaço, o preconceito e a crueldade da exclusão cidadã. As velhas oligarquias coloniais e seus vícios arrastaram-se para dentro da República, o que se viu evidenciado na chamada “política do café-com-leite, em duas ditaduras e em muitos resquícios que ainda vivemos no chamado período de redemocratização. Esta, por acaso, é a fase que vivemos no momento e que merece uma avaliação mais criteriosa.

A Pátria Mãe gentil hoje é uma terra inundada por uma necessidade constante de transformação. O combate a miséria e a fome são caminhos inteligentes para finalmente proclamar nossa independência e podermos finalmente chamar de gentil nossa querida Pátria Mãe. Outro caminho é o combate ostensivo a corrupção, não apenas promovendo a tão comentada faxina, mas criando meios para que os corruptos não possam se aproximar do poder. Criar instrumentos legais que não permitam transformar cargos eletivos em refúgio para criminosos protegidos pela imunidade (impunidade) da legislação brasileira que ainda carrega manchas coloniais.

Um terceiro caminho, e não menos importante, é fortalecer a formação de todos os brasileiros, garantindo-lhes condições de exercer funções não apenas produtivas no mercado, mas cidadãs no contexto da sociedade do século XXI. Se a Pátria Mãe deseja exercer sua maternidade efetiva é preciso que trate seus filhos desiguais de forma diferenciada, porém, garantindo a todos e a todas oportunidades semelhantes. A Pátria, a exemplo da Mãe gentil, não pode excluir, privilegiar e beneficiar alguns de seus filhos em detrimento de uma absoluta maioria.

Combater a corrupção, a miséria, a fome, a violência e o analfabetismo são oportunidades para que finalmente se proclame a Independência e se possa reconhecer a Pátria, como Mãe gentil, coerente e ética. Assim, a Independência é uma conquista diária, sustentada pela democracia, pela legalidade e por cidadãos capazes de escolher o que é melhor para todos.

domingo, 14 de agosto de 2011

Democracia e o fim dos pequenos impérios


Se há algo de que podemos nos orgulhar em nosso país, é da democracia. Periodicamente somos chamados a escolher livremente os que nos governam e representam nas mais variadas esferas de poder. Acerta-se muito e cometem-se erros, mas o simples fato de poder errar é uma conquista. Graça a isso a política passa a se aproximar mais das pessoas e as pessoas da política. Se em outros tempos se enfatizava ao povo, que o “talento” para fazer política pertencia a poucos de determinadas famílias, hoje caminhamos para o acesso livre por parte de todos.

Se nos tempos de repressão o Brasil via surgir em grande parte das suas cidades, pequenos impérios familiares que dominaram o povo e o convenceram que somente eles poderiam governar, hoje percebe-se que após a democratização, estes pequenos impérios ruíram. Alguns remanescentes daquele período ainda insistem em dizer que se não fossem eles, nada do que temos hoje seria possível. Fazem das migalhas, grandes realizações do passado e tentam fazer acreditar que realizaram o que foi possível à época. No entanto não admitem que reprimiram, coagiram e controlaram economicamente as pessoas e lhe tiraram a liberdade.

Fizeram isso de forma covarde, aproveitando-se da miséria, da falta de instrução e da coação moral para fazer acreditar que não havia alternativa. Hoje, graças a democracia, derrotados e esquecidos, apresentam-se como responsáveis pelo progresso presente e futuro, como se no passado, como fruto de seu desapego pessoal, tivessem posto em risco sua família, sua saúde e a própria vida. Certamente tem alguns méritos, e talvez o mais importante é o de que hoje o povo percebe que a nossa maior conquista é a democracia e a liberdade para escolher.

Se houve desenvolvimento e progresso no passado e no presente é porque milhares de pessoas contribuíram com seu trabalho, sua luta e com suas vidas para que hoje possamos enxergar o futuro com mais esperança. Manter esta esperança viva é uma tarefa árdua e exige de nós algumas atitudes: impedir que os mercenários do passado voltem; sensibilizar as novas gerações para as armadilhas embutidas em histórias mal contadas e encorajar as pessoas a manifestar seus sonhos, suas esperanças e suas indignações.

Certamente ainda temos alguns impérios para derrotar e isto será possível através do aperfeiçoamento da democracia, reforma política e rigor no combate a corrupção. Em nossas pequenas cidades, o povo tem escolhido melhor, e como dissemos, cometido pequenos erros até, mas mostrou que não vota por medo ou por ilusão. Vota-se com esperança e sem medo de renovar. Graças a isso os pequenos impérios se foram e dificilmente voltarão.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Complexidade na gestão da escola pública: competência, humildade e ética

A gestão pública, através de seus princípios básicos e de suas múltiplas peculiaridades, torna-se complexa e desafiadora. Ao contrário da gestão convencional, a púbica não visa essencialmente o lucro, mas o correto investimento de recursos pertencentes a coletividade, respeitando princípios legais e éticos. Em se tratando de gestão de escola pública, uma série de peculiaridades configuram uma complexa rede de interesses, intenções, desejos e esperanças. Assim, administrar uma escola pública não requer apenas um(a) burocrata capaz de cumprir prazos e executar tarefas. Faz necessário um(a) gestor(a) que compreenda, não a sua importância individual mas, a relevância da instituição em que se encontra para as pessoas que nela se inserem.

Assim, dentre muitos, três valores tornam-se especialmente importantes no exercício da gestão da escola pública: competência, humildade e ética. A competência diz respeito a uma série de atribuições dentre as quais a compreensão dos fundamentos legais, do respeito e cuidado ao utilizar recursos públicos, a preocupação com a qualidade das ações empreendidas. Além disso é fundamental dispensar atenção à diversidade, tratando a todos conforme suas particularidades, garantindo a todos o direito de expressar sua diversidade. A competência do(a) gestor(a) requer habilidades em conciliar uma ampla diversidade de interesses que naturalmente se manifestam num espaço coletivo.

Noutro aspecto, o(a) gestor(a) necessita agir com humildade, como aprendente num processo humano de constante transformação: a democracia. A humildade não somente rima, mas estabelece uma forte relação com outro valor: humanidade. Portanto, ser humildade é essencialmente reconhecer-se humano(a) capaz de perceber no(a) outro(a) a esperança e o desejo de ser mais e melhor. Não no sentido da sobreposição, mas da superação de mazelas como a miséria, a violência, a exclusão. Mesmo diante da competência do(a) gestor(a), a ausência de humildade o(a) torna arrogante que por sua vez não somente rima, mas é praticamente sinônimo de ignorante.

A ética por sua vez é a expressão-síntese do comprometimento do(a) gestor(a) com as pessoas com que partilha suas esperanças, sonhos e projetos. O agir ético requer além de competência e humildade, um elevado desejo de respeitar e ser respeitado(a) diante da diversidade de sonhos, utopias e esperanças. A gestão da escola pública é também a gestão dos sonhos daqueles a quem o elementar é utópico e das esperanças daqueles que vêem nela sua melhor e única forma de garantir sua sobrevivência. O(a) gestor(a) ético(a) é pois sensível às demandas daqueles a quem foi historicamente negado o direito de esperançar. Esperançar, ao contrário de esperar, é a atitude ativa na direção de seus sonhos, melhor sustentado por uma formação qualificada numa escola pública atenta ao momento histórico vivido.

Assim cabe a(o) gestor(a) da escola pública a complexa tarefa de fazer da escola um espaço de promoção das pessoas. Para tanto é preciso que manifeste sua autoridade e estabeleça uma relação de confiança com seus parceiros fazendo-os assumir juntos um compromisso em favor da qualidade do ensino público.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Algumas lições de democracia do futebol para a educação!

Que a escola é um espaço seletivo e, portanto exclusivo não é nenhuma novidade! A começar, pela idade em que as crianças começam a ser educadas. Algumas começam nos berços a ter contato com estímulos, palavras, letras e significados e uma grande maioria somente após os seis anos. Aos seis anos, algumas serão efetivamente estimuladas, orientadas e instigadas a aprender, outras serão apenas treinadas a repetir, copiar e decorar sem saber para que. A grande maioria deixa a escola aos catorze anos e uns poucos seguem.
No futebol os fatos são diferentes com algumas especificidades. A grande maioria dos meninos (e das meninas) tem contato com uma bola, assim que começa a andar. Muitas vezes aprendem a andar para correr atrás da bola. O mais importante, a bola é redonda para todos! Alguns demonstram talento, treinam, aperfeiçoam a técnica e transformam a brincadeira de criança em profissão. Outros continuam brincando, transformando a brincadeira em hobby.
Esta comparação é muito providencial para falarmos de democracia e oferecermos uma boa lição para a educação. Ambas são excludentes uma vez que, assim como nem todo o estudante vira doutor, a grande maioria dos meninos e meninas não se transforma em craque. Mas a exclusão se dá de forma diferente. Na escola a exclusão se dá pelas condições econômicas, de tal forma que para cada tipo de classe econômica há um tipo de escola. No futebol é pelo talento, pela persistência, pela habilidade. Como a grande maioria dos meninos e meninas que tocam numa bola é pobre, a grande maioria dos craques de futebol também emerge desta classe social.
As condições para virar craque são as mesmas! Já para virar doutor o caminho é outro. Se no futebol, todas as bolas são redondas, na educação elas são quadradas, retangulares e até ocultas. Por mais que se tenha talento, persistência, habilidade, a bola não ajuda! Sem contar, em muitos casos, na falta de habilidade da comissão técnica e dos cartolas. Obviamente ninguém pode dizer que deixou de ser feliz por que descobriu que não poderia vir a ser um craque de futebol. Diante disto, trocou de esporte ou de hobby, e tudo bem! Mas o fracasso e a exclusão da escola podem não permitir uma troca tão fácil.
Estar fora da escola, afasta muitas oportunidades, diminui consideravelmente as chances de tudo ficar bem! Portas se fecham, esperanças se esvaem! A democracia do futebol estabelece que as chances sejam as mesmas para todos e todos têm a liberdade de manifestar seu talento. Já a democracia escolar estabelece que quem puder (financiar) poderá manifestar seu talento, porém do contrário, pouco muda ter ou não talento.
Justo seria, se assim como no futebol, outras possibilidades surgissem. Obviamente, independente das condições das escolas, nem todos os meninos e meninas tem talento para aderir as regras e aos rigores dos métodos de ensino, como ocorre no futebol. Então é possível dizer que, assim como o futebol, a universidade não é para todos, por exemplo. Mas seria justo, democrático e ético, que todos pudessem ter o direito a uma vida digna, sem necessariamente precisar transpor todas as etapas seletivas da escola.
Assim com é possível ser feliz sem saber jogar futebol, poderia ser possível ser feliz aprendendo coisas diferentes daquilo que se ensina na escola convencional. Uma educação democrática de verdade não pode apenas impor regras, mas estabelecer critérios para que diferentes habilidades possam aflorar em torno de oportunidades iguais.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Onde está nossa indignação?

O mundo nos tem feito insensíveis, incapazes de perceber o absurdo, o horrendo? Não acredito. A mídia tem anestesiado nossa capacidade de reagir, engessado nossas cordas vocais? Pouco provável. Mas afinal por que não nos indignamos mais? Porque toleramos corrupção, prostituição, fome, analfabetismo, violência e sua causa maior, a impunidade? Onde está nossa indignação?
Quando lemos o relato histórico de episódios típicos da indignação popular, como o das Diretas Já, onde intelectuais, artistas, religiosos, estudantes e líderes (os verdadeiros) mobilizaram o país em torno de uma causa, nos questionamos sobre o que faz nosso país ser tão “pacífico”. Milhares de pessoas se mobilizam para tratar do direito a liberdade de opção sexual, para expressar sua religiosidade, para defender o uso de entorpecentes ou a praticar o aborto, por exemplo. Legítimos ou não, cada um julgue por si, mas são movimentos que ainda mobilizam, porém incapazes de causar um estado de indignação coletiva.
A crescente luta pelo sucesso individual, ou mesmo a simples sobrevivência, parece desmobilizar qualquer movimento que vise o interesse coletivo. Assim, mesmo ciente da necessidade de se indignar diante do que compromete o futuro e a dignidade de todos. As grandes tragédias humanas, sociais e ecológicas são equivocadamente vistas como um problema alheio, que não pertence a ninguém. Esta renúncia ao compromisso e a indignação coletivos tem feito de nosso país uma nação vulnerável à violência, corrupção, exclusão e miséria.
Enquanto a indignação não se faz ouvir, o campo continuará banhado de sangue, nossas crianças continuarão sem saber interpretar uma frase, nossas florestas tombarão e nossa ampla miséria sustentará a restrita fartura. O mais grave, continuamos a achar tudo isso “natural” e nos conformamos com a condição de impotentes diante de uma realidade única e impossível reverter. Confundiu-se democratização com domesticação e pacifismo com conformismo.

domingo, 17 de julho de 2011

Mídias e desenvolvimento humano: mística e dialogicidade

Tecnologias midiáticas, instrumentos e estratégias para comunicação, divulgação e interação de saberes e seres humanos é uma realidade inegável e tem produzido um novo formato de relação entre as pessoas. Tornam o tempo mais “útil” reduzindo o seu “desperdício”, efervecendo a mobilidade de dados, informações e conhecimentos. Por estas características a tecnologia da informação, expressa através das mídias, estabelece uma verdadeira mística, onde ambientes virtuais, substituem o mundo físico, acessos e cliks substituem o convívio e o diálogo entre as pessoas e o anonimato e a atitude solitária tomam o lugar do diálogo e da solidariedade cooperativa.

Os mitos que fazem do fascínio por este novo universo de possibilidade de “ser gente”, podem representar uma forma de consolidar ainda mais a desumanização das relações humanas e a coisificação das próprias pessoas. Considerando que este universo tende a penetrar no contexto da educação, que é essencialmente de relações, necessitamos estabelecer um compromisso em favor da liberdade e da possibilidade de fazer da educação uma relação essencialmente dialógica.

Ao se supor que as tecnologias assumam um papel educativo, e não informativo, o compromisso com a liberdade e o diálogo cede espaço a uma mística que confunde treinamento com aprendizagem. Qualquer mídia, por si só, representa apenas uma forma de divulgar informações e dados, os quais somente se transformarão em conhecimento e formação humana, pela relação entre estas informações e dados e os seres humanos. as relações aqui referidas não são as que comumente chamamos relações de troca, mas de interação e de constante discussão dialógica e dialética.

Ao contrário se associarmos as tecnologias midiáticas às chamadas técnicas de relações humanas convencionais, corre-se o risco de fortalecer a prática da alienação e dominação humanas. Estas supõem os seres humanos como extensão de máquinas, aumentando a proporção da produção, gerando maior lucratividade com menor custo possível. trata-se portanto de uma mistificação pouco ingênua, absolutamente ligada ao interesse elitista com o propósito de forma “bons e competentes” trabalhadores.

Percebe-se uma evidente condução das pessoas convertendo a educação numa agência de qualificação profissional. Na contracorrente desta tendência, torna-se eminente, a necessidade de educadores éticos, adeptos à prática dialógica e dialética. A medida em que o mito que converteu as mídias em instrumentos de formação humana se estende pelas práticas educativas, é preciso fazer ampliar a discussão dialógica em torno do real compromisso do educador ao fazer uso desta tecnologia.

Caberá ao educador e a educadora dialógica garantir a liberdade das pessoas se constituírem agentes de sua própria formação rejeitando qualquer tentativa ou ameaça de se coisificar as relações essencialmente humanas. Numa atitude sábia, utilizar as mídias e as tecnologias para executar tarefas mecânicas e repetitivas, para que as pessoas tenham mais possibilidade e tempo de fazer que máquina alguma pode fazer: ser gente. A grande mística a ser aceita e enaltecida deverá ser a da criação pelo diálogo, interação, respeito e solidariedade entre os diferentes, que somente se encontram quando estes diferentes se tocam física e afetivamente.

terça-feira, 28 de junho de 2011

A sustentabilidade como negócio

O termo sustentabilidade é recorrente em todas as discussões em torno das perspectivas em relação ao futuro da economia, da humanidade e do planeta. Assim generaliza-se o termo sustentabilidade considerando seu sentido idêntico em qualquer das suas aplicações. Mas é preciso antes de estabelecer qualquer crítica a esta relativização conceitual, determinar algumas diferenças conceituais de aplicação deste conceito. Do ponto de vista econômico, o termo sustentabilidade representa a garantia de que determinada atividade produtiva possa se estabelecer, assegurando fontes de matéria-prima e energia para tal, além de público potencialmente habilitado e capacitado a consumir. Assim tudo o que existe necessita garantir lucro.
No que diz respeito a sustentabilidade humana, representa a garantia de que as necessidades básicas (todas se possível) possam ser satisfeitas independente do que isso representa para o planeta. Nela pode ser incluída a sustentabilidade econômica, vista como forma de garantir produção, renda e consumo de produtos e serviços. Partindo-se deste princípio tudo existe para garantir a existência humana. Do ponto de vista planetário, acima do lucro e da garantia a existência humana, está a existência do planeta como ente vivo e gerador de vida. Esta concepção conceitual de sustentabilidade não compreende o de sustentabilidade econômica e humana aqui descritos.
Pode-se dizer que existe um conceito de sustentabilidade como negócio ou empreendimento econômico através do qual promovem-se ações que baseiam-se na relação custo-benefício. Empresas e entidades agem de forma pontual mascarando efeitos nocivos de suas atividades sem, entretanto assumir um compromisso maior com a humanidade e principalmente com o planeta. Iniciativas tímidas que não representam diferenciais significativos na ralação entre capital e vida planetária. Bem-estar e cooperação cedem espaço à lucratividade e competitividade fazendo com que se tenha apenas uma possível sobrevivência dos “mais fortes”.
Assim a sustentabilidade alardeada e ostentada e muito bem paga, pode ser uma das manifestações mais explícitas de hipocrisia e incoerência já protagonizadas pela humanidade. A sustentabilidade é pois, exigência de novas atitudes, uma nova crítica frente ao que se consolida como único caminho para permitir a existência de um futuro. A sustentabilidade como forma de estabelecer um novo paradigma planetário nasce da sensível percepção de que a viabilidade da vida, inviabiliza a atual relação homem x planeta, onde um se coloca como adversário do outro.
A sustentabilidade vista como novo ethos no convívio planetário, requer do ser humano, a humildade de se perceber responsável pela histórica tragédia ecocida vivida e pela necessária reconciliação planetária. Uma reconciliação em que ser sustentável não será apenas um negócio viável, mas que faça da viabilidade da vida na Terra, objeto de preocupação permanente de todas as gerações.

sábado, 18 de junho de 2011

A ameaça legalizada

Os tempos recentes nos surpreendem por debates abordando os mais diversos temas. Um destes temas é a defesa pela chamada descriminalização do uso da maconha, que já congrega um número considerável de adeptos. Dentre este adeptos encontramos figuras notáveis das artes, da cultura e da política. Ex-líderes mundiais manifestam-se afirmando que esta é uma guerra perdida e que não dispomos de meios para reverter o quadro.
Respeitando-se a opinião de ilustres figuras é preciso dizer que o cidadão comum também precisa ser ouvido diante deste tipo de afirmativa. Em primeiro lugar é preciso dizer que se até o momento não se encontrou um caminho para resolver este problema não significa que ninguém encontrará, afinal, para citar como exemplo, lembramos que doenças vistas como incuráveis foram tratadas ou até exterminadas.
Assim, ao contrário de desistir, é preciso intensificar pesquisas, investimentos e ações que possam determinar o início de uma nova era, livre das drogas, que representam uma ameaça a dignidade e a vida humanas. A postura cômoda e descomprometida, de quem defende a legalização do uso da maconha (de outras drogas a reboque) estabelece um precedente em relação a outras discussões. Assim, se mesmo com todas as formas de coerção a crimes como seqüestro, estupro, assassinato ainda percebemos que continua-se seqüestrando, estuprando ou assassinando, não podemos imaginar que estes crimes passem a ser admitidos ou até ignorados.
Uma outra análise a ser feita diz respeito ao fato de que se estes ex-líderes fracassaram em suas ações, quando detinham o poder, não podem por isso penalizar gerações futuras pela sua incapacidade e incompetência. Certamente esta grave mazela não se dissipará espontaneamente, mas com atitudes e políticas públicas sérias, será possível estabelecer um compromisso em favor da vida. Entregar nosso futuro ao acaso seria uma atitude extremamente covarde. Algo inaceitável quando se pensa na possibilidade de se ter um futuro.
De qualquer forma o debate é útil se considerarmos que diferentes entidades passam a discutir de forma mais insistente, o tema drogas, identificando-o como de extrema gravidade. A partir desta discussão passa-se a refletir a família, suas qualidades e sua falibilidade, a formação que está sendo oferecida à crianças e jovens, os valores que estão sendo apresentados às pessoas.
É importante que as instituições formadoras de pessoas participem deste debate, apresentando não apenas a sua posição, mas compromissos para que, mesmo diante do fracasso de determinadas políticas públicas, ou a ausência delas, não exponham nosso futuro ao caos. É pela mobilização coletiva e institucional que haveremos de promover um debate sério e qualificado, afinal o tema parece se estar evitando o debate, ou pelo menos não acontece com a profundidade que merece.

Quem sou eu

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Benedito Novo, Santa Catarina, Brazil
Sou Mestre em educação, graduado em Biologia e Matemática, professor da rede estadual de Santa Catarina, com experiência em educação a distância, ensino superior e pós-gradução. Sou autor e tutor de cursos na área da educação no Instituto Veritas (Ascurra) e na Atena Cursos (Timbó). Também tenho escrito constantemente para a Coluna "Artigo do Leitor" do "Jornal do Médio Vale" e para a revista eletrônica "Gestão Universitária". Fui diretor da EEB Frei Lucínio Korte (2003-2004) e secretário municipal da Educação e Promoção Social de Doutor Pedrinho (2005). Já atuei na rede municipal de ensino de Timbó. Em 2004 coordenei a campanha que conduziu à eleição do Prefeito Ercides Giacomozzi (PMDB) à prefeitura de Doutor Pedrinho. Em 2011 assumi pela segunda vez, a direção da EEB Frei Lucínio Korte.